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Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha um namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuvas, eu era a garoa e ela, um furacão.
Quem é você, Alasca? (via miccies)
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Pinte o céu de qualquer cor
Rasgue as cortinas do seu espetáculo
Ensine ao velho ranzinza o poder do amor
Escreva delírios em seu diário

Pelo menos uma vez beba até apagar
Misture o doce com o salgado
Em vez de bater, tente apanhar
Aprenda também a ficar em pedaços

Durma no chão, sem conforto sem lençol
Pise no fogo e dance sobre os espinhos
Admire a lua até que chegue o sol
Às vezes o melhor é estar sozinho

Seja poeta quando sentires a alma fumegar
Saiba que o eterno dura apenas uma vida
Escreva, descreva, para que possas contemplar
Satisfação exemplar em sua despedida.

Otávio L. Azevedo  (via miccies)